Ressentimento e Amargura

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Virus, aninha-se voraz nas células dos sentimentos e debilita o organismo emocional das criaturas, levando-as a estados degenerativos graves.

Espinho cravado nas carnes da alma, propicia infecções lamentáveis com perigos iminentes de destruição.

Morbo pestilento, exala contágio, gerando epidemias que se alastram através da maledicência e do ódio queixoso, como válvula de escape da vingança.

Enfermidade de perigoso porte, consome aquele no qual se instala, e tenta contaminar o outro, de quem conserva mágoa, ameaçando a organização social, sempre susceptível de desequilíbrio.

O ressentimento é inimigo que deve ser vencido a golpes de amor e compreensão, antes que, semelhante a câncer constritor se irradie em metástase irreversível, vencendo os organismos físico e mental das vítimas que o aceitam.
Muitos males seriam evitados se o ressentimento fosse descartado do relacionamento humano e social.
Sem fundamento nem justificativa, ele é remanescente dos instintos agressivos e primários do ser, no seu processo de evolução.

Libertando-se dos atavismos animais, cabe ao homem transformar a agressividade em tolerância, eliminando, por definitivo, o orgulho, do seu mapa de comportamento.
Sentindo-se ferido, sem um exame mais cuidadoso da situação, esse outro algoz estimula o ressentimento como forma de desforço futuro, que aguarda qual se fora uma fera acuada.
Há muito ressentimento no mundo, que necessita do oxigênio do amor fraternal para diluir-se.

Considere-se o inimigo na condição de um enfermo que se desconhece, embora a presunção com que se apresente, e não haverá razão para ficar-se ressentido com ele.
Tenha-se em mente que a inveja é sempre responsável por calúnias e acusações indébitas, e não se perderá tempo com pelejas inglórias na emoção, através do ressentimento.
Pense-se na situação do traidor, quando venha a despertar e reconhecer a culpa, e não haverá lugar para qualquer reação ressentida.
Note-se que a outra pessoa, aquela que gera problemas, encontra-se em faixa evolutiva mais grosseira, e o ressentimento desaparecerá, substituído pelo desejo de ajudar.
Quando alguém fica ressentido, nivela-se com o adversário ou o seu contendor.
O ressentimento responde por maior número de enfermidades no homem, do que se supõe.

Age sempre conforme gostarias que os outros o fizessem em relação a ti.
Coloca-te na situação infeliz e perceberás quanto bem te faria a gentileza daquele a quem combatesses.
Todo incêndio cessa quando acaba o combustível que o sustenta.
O ressentimento é labareda mantida pelos sentimentos inferiores.
Se te elevas moralmente pela prece, pela ação do bem, cessa o calor da mágoa e sucumbe o incêndio infeliz.
Liberta-te do ressentimento e a paz se te aninhará no coração.

Joanna de Ângelis  &  Divaldo P. Franco

Obra: Momentos de Harmonia.

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