O Espiritismo e a Pandemia

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Completamos um ano de pandemia e consequentemente de isolamento social. Precisamos pensar os fatos e as ações que foram conduzidas em todo este período, e considerarmos importante refletir sobre o seguinte ponto:

o que será o movimento espírita no póspandemia?

E uma outra questão que nos parece muito relevante: como estamos conduzindo o movimento no período pandêmico?

Partimos da reflexão sobre a oportunidade de ressignificação dos ambientes espíritas, e consideramos esta ponderação vital para a compreensão, por exemplo, que o Centro Espírita é importante, mas não é imprescindível para a realização de tarefas espíritas.

Este momento pode nos ensinar a levar o Espiritismo para fora das paredes das Casas Espíritas. É óbvio que se incide com esta altercação questões de política e institucionalização do Espiritismo, pois aqui, no Brasil, trancaram-no nos Centros Espíritas e produziram um processo de educação bancária e heterônoma.

Isto faz com que uma parte muito significativa dos espíritas brasileiros só acreditem no Espiritismo dentro das instituições, bem como serve para a manutenção do status quo, só assim para enten-
dermos Centros Espíritas abertos em plena pandemia.

Poderíamos justificar estas atitudes de diversas formas, mas nada justifica mais o formato pedagó-
gico, o processo pedagógico com caráter religioso e catequético que tem sido vivenciado no Brasil.

Este modelo criou um movimento espírita que segue e obedece, sem questionar, e que sofre influência em seus comportamentos de ideias trazidas por Espíritos e médiuns famosos, mesmo que estes aconselhem, instruam, orientem ou divulguem o Espiritiso de acordo com suas próprias visões, com diretrizes contrárias a Kardec.

A pandemia nos mostra como o movimento espírita, em função das observações já feitas, acaba relegando as relações de política a um processo de marginalização das questões sociais em detrimento de pautas extremistas e conservadoras, e pseudojustificadas na forma deturpada de se compreender a reencarnação e a causa e efeito.

Desta maneira, vamos criando em nossos espaços os tipos de discussões que são válidas e os que não são, num processo de construção de lugar de fala a apenas alguns que precisam obedecer a um perfil branco, hétero e classe média.

Estas digressões nos levam a pensar na necessidade de atualização da linguagem com que o movimento espírita se comunica com seus adeptos.

No que diz respeito a construção de proximidades com as temáticas sociais, que trazem em suas gêneses as dores das intimidades de muitas comunidades que não são contempladas em suas realidades vivenciais, na forma que se discute o Espiritismo por uma parte muito grande dos agentes divulgadores da Doutrina dos Espíritos.

Estamos encarnados e esta existência nos convida a uma percepção da vida como atores atuantese protagonistas, capazes de mudar as realidades sociais entendendo o Espiritismo como uma doutrina comportamental e não contemplativa.

Assim, construiremos o reino de Deus na Terra, um reino que se baseia na igualdade e na justiça
social. Sem igualdade e justiça social não haverá regeneração!

ALEXANDRE JÚNIOR
Pós-graduado em Gestão
Educacional e Coordenação
Pedagógica, coordenador do
grupo Ágora Espírita,
Recife,
PE

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