Um homem nos arredores de Jerusalém: De Judas

07/04/2019 by

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Judas veio à minha casa naquela sexta-feira, após a noite da Páscoa, e bateu com força à minha porta.
Quando entrou, fitei-o e sua face estava lívida. Suas mãos tremiam como vergônteas secas ao vento e tinha as roupas molhadas como se houvesse saído de um rio; pois, naquela tarde, tinham ocorrido grandes temporais.
Olhou para mim, e suas cavidades oculares pareciam escuras cavernas, e seus olhos estavam sangrentos.
E disse: “Entreguei Jesus de Nazaré aos Seus inimigos e aos meus inimigos.”
Depois, retorceu as mãos e disse: “Jesus declarara que venceria todos os Seus inimigos e os inimigos do nosso povo. E eu acreditei, e segui-O.
“Quando Ele primeiro nos chamou, prometeu-nos um reino poderoso e vasto e, em nossa fé, procuramos agradar-Lhe para que tivéssemos altos postos em Sua corte.
“Víamo-nos como príncipes tratando esses romanos como eles nos haviam tratado. E Jesus falou muito sobre o Seu reino, e eu pensei que Ele havia me escolhido para capitão de Seus carros de guerra e chefe de Seus guerreiros. E segui-Lhe os passos de boa vontade.
“Mas descobri que não era um reino que Jesus buscava, nem era dos romanos que Ele nos libertaria. Seu reino não passava de um reino do coração. Ouvi-O falar de amor, e caridade, e perdão, e as mulheres da beira da estrada O ouviam contentes; mas meu coração ficava cada vez mais amargurado e eu ia-me tornando endurecido.
“Meu esperado rei da Judéia parecia ter-se tornado subitamente um tocador de flauta, para acalmar os espíritos dos errantes e vagabundos.
“Eu O tinha amado, como O tinham amado outros membros da minha tribo. Tinha visto Nele uma esperança e uma libertação do jugo estrangeiro. Mas quando verifiquei que Ele não pronunciaria uma palavra nem moveria um dedo para libertar-nos desse jugo, e quando mandou mesmo que se desse a César o que é de César, então o desespero me possuiu, e minhas esperanças morreram. E disse: ‘Aquele que matou minhas esperanças será morto, porque minhas esperanças e expectativas são mais preciosas do que a vida de qualquer homem.'”
Então Judas rangeu os dentes; e curvou a cabeça. E quando falou novamente, disse: “Entreguei-O. E Ele foi hoje crucificado… Entretanto, quando morreu na cruz, morreu como morrem os libertadores, como os vastos homens que continuam a viver além da mortalha e do túmulo.
“E em todo o tempo em que ia morrendo, era bondoso; e Seu coração estava cheio de piedade. Tinah piedade até daqueles que O haviam entregado.”
E eu disse: “Judas, cometeste um mal muito grave.”
E Judas respondeu: “Mas Ele morreu como um rei. Por que não viveu como um rei?”
E eu disse novamente: “Cometeste um crime muito grave.”
E ele sentou-se ali, naquele banco,e ficou imóvel como uma pedra.
Mas eu andava na sala de lá para cá, e disse mais uma vez: “Cometeste um grande pecado.”
Mas Judas não disse uma palavra. Permaneceu silencioso como a terra.
E, daí a pouco, ergueu-se e encarou-me, e parecia mais alto, e, quando falou, sua voz lembrava o som de um navio rebentado; e disse: “O pecado não estava em meu coração. Nesta mesma noite, procurarei o Seu reino, e me apresentarei a Ele e implorarei Seu perdão.
“Ele morreu como um rei, e eu morrerei como um vilão. Mas, em meu coração, sei que Ele me perdoará.”
Depois de pronunciar estas palavras, envolveu-se em sua veste molhada e disse: “Foi bom que te tenha procurado esta noite, embora tenha te incomodado. Perdoar-me-ás também?
“Dize a teus filhos e aos filhos de teus filhos: Judas Iscariotes entregou Jesus de Nazaré aos Seus inimigos porque O acreditava um inimigo de Sua própria raça.
“E dize também que Judas, no dia mesmo de seu grande erro, seguiu o Rei aos degraus do Seu trono para entregar sua alma e ser julgado.
“Dize-lhes ainda que meu sangue também estava impaciente pela terra, e que meu espírito aleijado queria ficar livre.”
Depois, Judas recostou a cabeça na parede atrás de si e gritou: “Ó Deus, cujo nome terrível nenhum homem pronunciará antes de seus lábios serem tocados pelos dedos da morte, por que me queimaste com um fogo sem luz?
“Por que deste ao Galileu esta paixão por uma terra desconhecida e me sobrecarregaste com um desejo que não se desvencilharia dos liames do parentesco e do lar? E quem é esse homem Judas, cujas mãos estão manchadas de sangue?
“Ajuda-me a jogá-lo fora como uma veste velha e um arreio estragado.
“Ajuda-me a fazer isto esta noite.
“E deixa-me estar novamente fora destas muralhas.
“Estou cansado desta liberdade sem asas. Procuro um cárcere maior.
“Eu verteria uma torrente de lágrimas em direção ao amargo mar. Preferiria depender de Tua misericórdia do que bater à porta de meu próprio coração.”
Assim falou Judas e, em seguida, abriu a porta e reentrou na noite tempestuosa.
Três dias depois, visitei Jerusalém e soube de tudo o que se passara. E contaram-me que Judas se havia atirado de cima da Pedra Alta.
Tenho meditado muito desde aquele dia, e compreendo Judas. Cumpriu sua pequena vida, que flutuava como uma neblina sobre esta terra escravizada pelos romanos, enquanto o grande profeta ia escalando as alturas.
Um homem anelava por um reino em que ele fosse príncipe.
Outro homem desejava um reino em que todos os homens sejam príncipes.

Extraído de Jesus, o Filho do Homem,
de Gibran Khalil GIbran, editado pela ACIGI.
Tradução de Mansour Chalita

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Spiritualismus im Licht von Wissenschaft und Philosophie

30/03/2019 by

Die Lehre von Allan Kardec – dem am 3. März 1804 in Lyon geborenen Begründer des so genannten „Kardecismus“ – unter wissenschaftlichen und philosophischen Aspekten zu betrachten, ist eine reizvolle Aufgabe.
Ihre Entstehung, ihr Inhalt und ihre gelebte Praxis nimmt im Umfeld geistiger Disziplinen eine Sonderstellung ein. Ihre Quellen sind nach wie vor verborgen, ganz im Gegensatz zu der vitalen Praxis ihrer Ausübung. Hier unternehmen wir den Versuch, die Lehre von Allan Kardec einzuordnen in Gesetzmässigkeiten, Methodiken, und Analogien zu Philosophien und Wissenschaften.
Der Ursprung dieser relativ jungen Lehre führt weit überraschend weit zurück in die Vergangenheit der Menschheitsgeschichte und besitzt eine Vielzahl von Verbindungen zu anderen spirituellen Lehren und Disziplinen.

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Palestra: A lei da afinidade

28/03/2019 by

A Lei de Afinidade

Palestra: Uma abordagem sobre pensamento

25/03/2019 by

Abordagem sobre o pensamento

Die Angst vor dem Tod

17/03/2019 by

Je besser der Mensch das Leben nach dem Tod begreift, desto mehr nimmt seine Angst vor dem Tod ab.

Sobald er über die Notwendigkeit, vorübergehend auf der Erde zu leben, aufgeklärt ist, rückt er dem Ende seines Lebens mit Ruhe und Vertrauen entgegen.

Himmel und Hölle – Die Angst vor dem Tod – Ursachen für die Angst vor dem Tod

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Anjo da Guarda (Guia Espiritual)

17/03/2019 by

Cada anjo da guarda tem o seu protegido e vela por ele como um pai vela pelo filho. Sente-se feliz quando o vê no bom caminho; chora quando os seus conselhos são desprezados.

Não temais fatigar-nos com as vossas perguntas; permanecei, pelo contrário, sempre em contato conosco: sereis então mais forte e mais felizes.

São essas comunicações de cada homem com seu Espírito familiar que fazem médiuns a todos os homens, médiuns hoje ignorados, mas que mais tarde se manifestarão, derramando-se como um oceano sem bordas para fazer refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, educai vossos irmãos.

Não sabeis que a obra assim realizais: é a do Cristo, a que Deus vos impõe.

Por que Deus vos concedeu a inteligência e a ciência, senão para as repartirdes com vossos irmãos, para os adiantar na senda da ventura e da eterna bem aventurança?

Allan Kardec. O livro dos espíritos. Item 495. Mensagem assinada por S. Luís e Sto. Agostinho.

NOTA:

O texto de Kardec é elucidativo por si só.

Ele fala dos guias espirituais particulares que nos são destinados, a cada encarnação.

No entanto, como muitos de nós ainda não sabemos, bem, separar as INFLUÊNCIAS espirituais, podemos ficar – e estamos – à mercê de certas companhias…

É preciso estudar e vivenciar Kardec!

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Catástrofes e Desencarnes em Massa – A visão espírita

28/01/2019 by

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Vez por outra, a Humanidade, em determinadas regiões do Planeta, chora a dor da destruição de cidades e a perda dos entes queridos. Catástrofes naturais ou acidentais vitimam milhares de pessoas e as imagens televisivas, virtuais ou impressas nos mostram as tintas do drama de nossos irmãos, enquanto a população recolhe seus mortos, implorando por auxílio para o socorro aos sobreviventes e a futura reconstrução de casas, prédios, espaços e repartições públicas.

A solidariedade fraternal do mundo fica explícita nas ações de grupos estatais e não-governamentais, que remetem remédios e equipamentos clínicos, bem como alimentos, água potável, roupas e cobertores, em paralelo aos inúmeros voluntários das cruzadas de saúde e defesa civil que atendem às vítimas, no digno exemplo daqueles que se importam com o semelhante e fazem o possível para minorar a dor alheia.

A filosofia espírita apresenta-nos a destruição como uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, importando no aniquilamento da vida material, a interrupção da atual experiência. Há, segundo a cátedra espírita, as desencarnações naturais, as provocadas e as violentas. As naturais decorrem do esgotamento dos órgãos e representam o encerramento “programado” das existências corporais, segundo a lei de causa e efeito e o planejamento encarnatório do ser. As provocadas resultam da ação humana no espectro da criminalidade e da agressividade (assassínio, atentados, guerras). As violentas encampam a ocorrência de catástrofes naturais (enchentes, terremotos, maremotos, ciclones, erupções, desmoronamentos, acidentes aéreos, automobilísticos, ferro ou aquaviários, entre outros), sem desconsiderar que a ação ou omissão humana, em face da ganância, da prepotência e da corrupção, pode estar entre as causas que geram tais efeitos danosos.

É por isso que em muitas dessas situações, o nexo causal entre a catástrofe e a ação humana acha-se presente. Movido por interesses mesquinhos e sem a adequada compreensão do conjunto (leia-se a contemporânea preocupação com os ecossistemas, a preservação do meio ambiente), os homens alteram a composição geológica, com escavações, desmatamentos, aterros e outros mais, e sua imprevidência acaba gerando as ocorrências das mencionadas catástrofes “naturais”. Também podemos mencionar aqui a situação daqueles que, migrando de suas cidades para os grandes centros, habitam os morros, nas periferias das metrópoles, e, sem a mínima infra-estrutura, ficam à mercê das primeiras enxurradas, que levam seus barracos, que fazem desmoronar enormes pedras, vitimando, não-raro, diversas pessoas. Há, aí, um misto entre o evento natural e a ação humana, como causa direta do evento fatal.

Nos casos em que subsistem várias vítimas, seja em pequena, média ou grave dimensão, entende-se que as faltas coletivamente cometidas pelas pessoas (que retornam à vida material) são expiadas solidariamente, em razão dos vínculos espirituais entre elas existentes. Todavia, necessário se torna qualificar a condição daqueles que, por comportamentos na atual existência, possam sublimar as provas, alterando para melhor o planejamento vital, garantindo a ampliação de sua permanência no orbe, redefinindo aspectos relativos à reparação de faltas e à construção e realização de novas oportunidades. Eis um caminho para explicar, por exemplo e, ainda que não definitivamente, a existência de sobreviventes.

A compreensão espírita, calcada no sério estudo e na relação direta entre os fundamentos filosóficos espíritas e o cotidiano do ser, na análise de tudo o que lhe rodeia, permite, assim, a desconsideração do termo “fatalidade” como sendo algo relativo à desgraça, ao destino imutável dos seres, pois o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. Então, a palavra destino também ganha um redesenho, para representar, tão-somente, o mapa de probabilidades e ocorrências da existência corporal, resultantes, em regra, das escolhas e adequações realizadas anteriormente à nova vida, somadas às atitudes e aos condicionantes do contexto atual, onde, com base no seu discernimento e liberdade, continuará o rol de decisões que levarão o ser aos caminhos diretamente proporcionais àquelas, colocando-o, sempre, na condição de primeiro e principal responsável por tudo o que lhe ocorra.

É verdadeiramente por isto que cognominamos o Espiritismo como a “Doutrina da Responsabilidade”, porque se nos permite a análise criteriosa de nossa relação direta com fatos e acontecimentos da vida (material e espiritual).

Ante eventos como as enchentes em Santa Catarina, além da possível ajuda material que possamos, daqui de longe, efetivar, que nossas vibrações e preces possam alcançar os espíritos socorristas, que encaminham as “vítimas” (desencarnadas ou seus familiares), as primeiras ao necessário e conseqüente despertar no Novo Mundo, e as últimas ao esforço para reconstruírem suas vidas. E que todos eles, despertos e recuperados das mazelas físico-espirituais, possam compreender, novamente, que o curso da evolução espiritual continua. Para eles e para nós, que aqui estagiamos.

Marcelo Henrique Pereira, Doutorando em Direito, Expositor e Escritor Espírita.

Café com Kardec

28/01/2019 by

café com kardec

Oficina dos Sentimentos

28/01/2019 by

oficina

Systematisierte Studie der Spiritistischen Lehre

14/01/2019 by

estudo - sábado